“Arquitetos e urbanistas constroem cidades, não concreto”. A fala da presidente do Sindicato dos Arquitetos e Urbanistas do Estado de Santa Catarina (SASC), Daniela Lopes, é o alerta proposto pela segunda live preparatória do 45º Encontro Nacional de Sindicatos de Arquitetos e Urbanistas (ENSA), realizada na noite desta quinta-feira (30/09). O foco da discussão foi debater o quanto a atuação da arquitetura ainda se distancia da realidade das cidades brasileiras e atinge apenas uma pequena parcela da população. O evento, que foi transmitido pelo canal do YouTube da Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA), ainda reuniu a vereadora do Rio de Janeiro Tainá de Paula e o professor de Planejamento Urbano da FAU-USP Nabil Bonduki. A mediação ficou por conta do Secretário de Políticas Públicas e Relações Institucionais da FNA, Patryck Carvalho.

“Nós ainda estamos distantes daquele arquiteto pé descalço, aquele que olha para as agendas coletivas e que repensa as cidades de maneira integrada”, destaca Tainá. O Censo 2021, que sofreu corte de verbas em abril deste ano, era uma arma importante para mostrar os resultados da crise econômica vivida pelo Brasil. A vereadora ainda exaltou a importância da realização do estudo e do quanto isso pode impactar na criação de políticas públicas voltadas para habitação dentro dos municípios. Bonduki, inclusive, afirma que o âmbito das cidades é a grande arma para se pensar em assistência técnica, justamente, porque as prefeituras são os órgãos públicos mais próximos da população. “Quando a moradia virar uma prioridade nacional e quando ela for compreendida como uma obrigação, assim como é a saúde e a educação, talvez consigamos desenvolver o trabalho de cuidar da saúde habitacional do nosso povo”.

Carvalho ainda instigou os convidados sobre o debate da presença de arquitetos e urbanistas dentro dos espaços do legislativo e executivo. “Fazer política, nos últimos anos, acabou se popularizando como algo ruim. Inclusive, muitos arquitetos se quer se veem como trabalhadores”, aponta Lopes. Os painelistas destacaram a importância de uma organização da classe para que se disputem e se ocupem os espaços públicos, a fim de levar as pautas da arquitetura para onde as mesmas possam se consolidar. “É essencial que estejamos na Câmara de Vereadores, no Congresso Nacional, mas sempre de forma organizada. Precisamos escolher um representante e colocá-lo nos cargos de poder. É a máquina pública que pode realizar todas as pautas que apontamos aqui hoje”, resume Bonduki.

A próxima live preparatória, que ocorre no mês de outubro, abordará as novas formas de atuação em arquitetura e urbanismo e apresentará o novo projeto da FNA, T.A.B.A – Trabalhadores Articulados em Benefício da Arquitetura. O 45º ENSA ocorrerá entre os dias 22 a 28 de novembro de forma digital. O conteúdo ficará disponível no canal do YouTube da entidade.