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Fórum Saergs no Mundo do Trabalho

21 de novembro - 11:00

Precarização, jornadas excessivas, disparidade de salários, desafios trazidos pela imposição de novas tecnologias e a necessidade de organização coletiva entre arquitetos e urbanistas. Esses são alguns dos temas que assombram arquitetos e urbanistas em diferentes partes do mundo e vêm sendo tratados com profundidade no Fórum Saergs no Mundo do Trabalho, evento virtual promovido pelo Sindicato dos Arquitetos no Estado do RS (Saergs) com patrocínio do CAU/RS. Os encontros reúnem arquitetos, professores, estudantes, sociólogos, economistas e teóricos em um verdadeiro simpósio sobre as condições do trabalho na profissão. O evento, totalmente online e gratuito, iniciou-se no mês de outubro e vai até o fim de novembro. As próximas transmissões ocorrem nos dias 21 e 28 de novembro, sempre com a expectativa de um tema edificante.
Uma das principais tendências apontadas durante os debates é o chamado cooperativismo de plataforma. O termo resume dois importantes conceitos, a união da categoria – de forma igualitária e inclusiva – e o adequado controle no uso da tecnologia como estratégias para frear a exploração de profissionais no mercado da construção. “Os debates do fórum vêm abordando diferentes temáticas, mas todos levam à conclusão que, inevitavelmente, cedo ou tarde, trabalhadores e trabalhadoras necessitarão, através da organização, da inclusão e da união, buscar melhores condições de prestarem seus serviços à sociedade sem perder sua própria dignidade ou sobrevivência na profissão”, resumiu o presidente do Saergs, Evandro Medeiros, arquiteto e urbanista.
Buscando respostas, a arquiteta Eleonora Mascia, presidenta da Federação Nacional dos Arquitetos (FNA), identifica que o desafio, a partir do aumento do número de escolas, é “mais gente saindo dos cursos enquanto menos gente é absorvida pelo mercado tradicional de trabalho, em que predominantemente existia a relação direta empregador – empregado”. O presidente do IABRS, Rafael Passos, lembra que a reforma trabalhista de 2017 tirou direitos que já eram estranhos aos profissionais da arquitetura e que “é preciso formar um outro tipo de profissional, mais necessário ao país onde vivemos”, referindo-se à atuação com habitação de interesse social. A possibilidade de organização através das cooperativas de plataforma foi apresentada pelo sociólogo e pesquisador da Unicamp, Marco Gonsales, como resposta da classe trabalhadora ao movimento de uberização. “Precisamos ampliar uma organização que dê conta dessas novas morfologias do trabalho, fortalecer as organizações de classe, e nos colocarmos em movimento em projetos que valorizem os profissionais de arquitetura”, ponderou.
Posição que também foi defendida pela economista do Dieese Lúcia Garcia. Para ela, é possível driblar o algoritmo imposto pelo trabalho digital (aquele que mecaniza o trabalho) por meio da criatividade que envolve o fazer da arquitetura. “O algoritmo não alcança a criatividade. O que está em campo é um trabalho que não é passível de ser reproduzido”, afirmou.Para isto, Oritz Campos, coordenador da Comissão de Exercício Profissional do CAU/RS exemplifica que um dos papéis do Conselho de Arquitetura e Urbanismo é assegurar o protagonismo aos profissionais através da defesa das suas atribuições.
Inovação em debates sobre a profissão também surgiu com a reunião virtual que integrou profissionais brasileiros e estrangeiros. O Fórum reuniu os arquitetos portugueses Andreia Bastos Silva, Catarina Queirós e João Gonçalves para falar da criação do Movimento dos Trabalhadores em Arquitetura (MTA), organização que está lutando pelos direitos da categoria em Portugal. A organização realizou pesquisas para avaliar a situação dos profissionais de lá e, através dos dados, percebeu-se que não é muito diferente do Brasil. “Os dados mostram, sem sombra de dúvida, a precariedade generalizada. Esses trabalhadores, embora estejam classificados como trabalhadores independentes, são trabalhadores por conta de outro”, pontuou a arquiteta paisagista Andreia Bastos Silva. E seguiu: “Viemos sofrendo uma progressiva desprofissionalização e proletarização”. Quem também passou pelas telas do Fórum Saergs no Mundo do Trabalho foi o arquiteto e urbanista Rui Leão, presidente do Conselho Internacional dos Arquitetos de Língua Portuguesa (Cialp). Para Medeiros, se a tecnologia possibilita o trabalho à distância, então, haverá a internacionalização dos direitos dos trabalhadores. “As sociedades do mundo todo, diante da pandemia, depararam-se com uma crise ética diante do valor da vida.”
O ensino e a docência não ficaram de fora do Fórum. Em lives específicas para tratar dos dilemas relacionados, o Saergs debateu com professores de diferentes universidades sobre a realidade dos formadores e formadoras de arquitetos e como se dá o ensino de ética a futuros arquitetos e urbanistas. Uma das tendências apontadas é que orientações sobre temas controversos como pagamento de Reserva Técnica (RT) e a negativa de direito autoral em projetos seja temática pulverizada ao longo de todo o currículo da graduação e não apenas o tema de uma disciplina de fim de curso. A professora Adriana Dutra, da Feevale, que participou da live ao lado de colegas da PUCRS, UFSM, Unisinos e Ufrgs, reforçou que é preciso estimular o debate sobre ética desde o início do curso. “Temos que pensar o tema e o trazer para reflexão dos alunos desde que entram na universidade. Ética é uma questão cultural”, pontuou.

Detalhes

Data:
21 de novembro
Hora:
11:00