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Arquitetos precisam olhar para as demandas da cidade Data: 09/11/2017 Fonte: Imprensa FNA

Foto: Carolina Jardine

Os arquitetos e urbanistas precisam ter um olhar mais sensível para as cidades e perceber a Arquitetura e o Urbanismo como instrumento de inclusão social. Essa busca traz como resultado a diminuição da violência e a melhora na mobilidade urbana, dentre outras soluções de questões latentes das cidades atuais. A necessidade de cidades que ofereçam à sociedade um morar mais democrático e uma utilização mais plural dos espaços foi a tônica central do seminário Olhares sobre a Cidade, realizado nesta quarta-feira (8/11), em Porto Alegre. O evento foi promovido pelo Sindicato dos Arquitetos no Estado do Rio Grande do Sul (Saergs), com apoio da FNA e Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB/RS) e patrocínio do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio Grande do Sul (CAU/RS). A secretária-geral da FNA, Fernanda Lanzarin, participou da mesa de abertura e falou sobre a importância de os profissionais estarem mais atentos para o desenvolvimento urbano das cidades, o uso dos espaços e a qualidade da moradia, como uma forma não somente de solucionar problemas sociais, mas também ampliar o espectro de atuação dos arquitetos e urbanistas, que tem estado muito pautado na arquitetura autoral, e portanto restrito a um mercado muito limitado. “Os arquitetos e urbanistas não tem atendido às demandas da sociedade pelo direito à cidade e moradia digna”, salientou.

Durante o evento, a arquiteta e urbanista Erminia Maricato apresentou o Projeto Brasil Cidades, grupo nacional que milita por cidades mais inclusivas e com menos desigualdades sociais. A ação, que já conta com apoio da FNA, terá, agora, um braço no Rio Grande do Sul. Segundo a presidente do Saergs, Maria Teresa Souza, a iniciativa é importante para repensar, dentro do Rio Grande do Sul, os rumos que se quer para as cidades gaúchas. “A sociedade precisa de cidades inclusivas, que unam e diminuam as diferenças entre as pessoas. Tentaremos trabalhar para isso com empenho”, pontuou.

Erminia conclamou os colegas gaúchos a unirem-se na luta por uma sociedade mais justa e relatou o revés que o movimento de inclusão viveu nos últimos anos. “Manter a população ilegal é a melhor forma de mantê-la subordinada. Não existe direito, você deve favor”, disparou. Segundo ela, a situação piorou muito após o último surto imobiliário, de 2009 a 2014. “Foi uma verdadeira tomada de assalto das cidades pelo capital imobiliário, pelas megaobras, o que resultou em uma piora na mobilidade. É momento de repensar o que aconteceu, o que sobrou de bom de um ciclo virtuoso, o que houve para que perdêssemos a hegemonia de pensar as cidades e o que podemos fazer para frente”. Citou as diferenças sociais vividas hoje nas cidades, onde a população negra segue nas periferias. “Precisamos superar o analfabetismo urbanístico e recuperar o poder que já tivemos nas cidades”, salientou.

Durante a tarde de debates, também teve destaque mesa que tratou da nova lei 13.465, sancionada em 11 de julho, que trata da regularização fundiária no Brasil. Segundo o arquiteto e urbanista Patryck Carvalho, a legislação permite a regularização de terras de uma forma muito simplificada, focada apenas na expansão urbana sem atenção para a capacidade das cidades nem para as contrapartidas necessárias. “Estamos tratando muito mal os nossos espaços”.

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